Aqui, você vai encontrar os registros históricos que remontam ao século XIX, que resgatam a história do Porto do Pecém que existiu antigamente e que já se caracterizava como porto industrial e cargas diversas.
A primeira dessas referências identificada até então, remonta a 1813, na Carta da Capitania do Ceará (imagem abaixo), levantada por ordem do Governador Manoel Ignácio de Sampaio, pelo seu ajudante de ordens, Antonio Joze da Silva Paulet, que traz no mapa a imagem da âncora com a grafia “Pecem”.
Carta da Capitania do Ceará século XIX
Jornal O Cearense de 16/09/1853 - Naufrágio Yale Aguia no Pecém
Jornais do século XIX (imagem a direita) apresentam matérias citando o Porto do Pecém, o que levou a se pesquisar o local do Pecém onde estaria referida estrutura e como era este antigo porto.
No ano de 1853, Jornal O Cearense publicou nota sobre o naufrágio do navio Yale Aguia a barlavento (direção de onde sopra o vento) do Porto do Pecém. Este é o registro mais antigo que se tem evidências do antigo porto.
Com a contribuição do pesquisador Josafá Terto, em 2025 se tomou conhecimento de um mapa do acervo do Arquivo Histórico do Exército Brasileiro, que faz a referência do Pecém, registram a imagem da ancora que representa locais de atracação e fundeio de embarcações, bem como a referência textual “Porto do Pecém”.
Recorte de mapa do acervo do Arquivo Histórico do Exército Brasileiro
Os jornais da época (Jornal Pedro II de 19/07/1861, figura abaixo), publicavam notas informativas informando o movimento dos portos e em 1861 o jornal Jornal Pedro II aponta que no dia 17/07/1861 a embarcação denominada Correiro da Imperatriz, de bandeira nacional, indicava o transporte de equipamentos e gêneros nacionais.
Outra publicação que também se identifica registros do antigo porto (Almanaque da província do Ceará de 1872, figura abaixo) é o Almanaque da Província do Ceará de 1872, que relacionava os portos do Estado e os nomes dos profissionais (Capatazia e sub-capatazia) de cada um. Sobre o Pecém se verifica o capataz José Augusto de Araujo, estando na ocasião o cargo de sub-capataz, vago.
Jornal Pedro II de 19/07/1861 – Apresentando a movimentação nos portos do Ceará
Almanaque da província do Ceará de 1872 - edição 2 - Relação Portos com suas capatazias
Publicação de Thomas Pompeu com a descrição topográfica da região do Siupé, citando o Porto do Pecém
Fonte:Revista do Instituto do Ceará.
Já no final do ano de 1872, o Almanaque da Província do Ceará que circulou em 1873 já traz o nome do novo Capataz, no caso o sr. Antonio Joaquim de Paiva.
Almanaque da Província do Ceará de 1873 - edição 2 - Relação Portos com suas capatazias
Ainda sobre os registros dos jornais, referente à movimentação dos portos do Estado, em 1882 o Jornal O Cearense apresenta o registro de embarcação Iate América, de bandeira nacional, atracada no Porto do Pecém (Imagem Jornal O Cearense de 11/03/1882 abaixo).
As notas de jornais traziam também alguns fatos, como se verifica em 1886 a nota do Jornal Libertador indicando que o rebocador inglês de nome Maranhense saiu na manhã do dia 27 de dezembro rebocando um paquete (navio pequeno que transportava cartas e passageiros) que estava ancorado no Pecém, indo para o estado do Maranhão (Imagem Jornal Libertador abaixo).
Jornal O Cearense de 11/03/1882 Registro de embarcação (iate América) atracada no Porto do Pecém.
Jornal Libertador de 27/12/1886 registro de navio ancorado no Pecém devido a perda da hélice.
Fatos envolvendo o Porto do Pecém também eram vistos em notas de jornais. Em 1893 o jornal A República registra caso de investigação envolvendo o capataz do porto e alguns trabalhadores.
Em 1895 o Jornal A República traz uma matéria muito especial para o resgate da história. Descreve em parte a estrutura e o ambiente do porto. Cita que era um porto artificial com estrutura em aço, demonstrando ser similar à antiga Ponte dos Ingleses (Ponte Metálica) na praia de Iracema, antes de sua reforma. O jornal destaca ainda aspectos industriais, que haviam no entorno do porto, no caso indústrias de vitrificação de cerâmicas.
1893 - Nota do jornal A República sobre investigação no Pecém envolvendo o capataz do porto e alguns trabalhadores.
Jornal A República de 1895 com referência ao Porto do Pecém, porto natural com estrutura em aço e indústria local de vitrificação
Em foto de morador local, de 1994 se identifica na praia uma estruturas quadriculares, que a comunidade desconhece saber do que se trata, imaginando ser apenas arrecifes. Em 2024, sabendo-se das citações dos jornais antigos, e verificando referida foto, iniciou-se uma busca por mais evidências que atestassem o local exato do antigo Porto do Pecém.
Registro fotográfico de morador local, de meados de 1994, onde se vê umas estruturas quadriculares
1997 - Recorte de registro fotográfico da Secretaria do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente
Em 2025, as buscas levaram até um registro fotográfico aéreo, feito em junho de 1997 pela antiga Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, feito para acompanhar o início das obras do novo porto, que por ter sido realizado durante a maré baixa, apresentou imagens bem claras dos restos da estrutura do porto do século XIX.
Registro do Google, durante a maré baixa, de setembro/2011
Realizando buscas por mais imagens, foi identificado registro do Google, durante a maré baixa em setembro/2011, onde ainda é possível ver o que restou da antiga estrutura do porto, já totalmente encoberta pela areia o primeiro quadrante e o segundo quadrante já parcialmente coberto.
A faixa de areia no século XIX era bem mais estreita que nos últimos 15 anos, o que nos leva nos dias atuais a não ver mais de forma completa e nítida a antiga estrutura.
Registros aéreos da antiga estrutura – janeiro/2026 Operador de drone e imagens: Gladison Oliveira